Como validar chave de acesso da NF-e

Para validar uma chave de acesso de NF-e, confira se ela tem 44 números, se a UF e a data fazem sentido, se o modelo é 55 ou 65 e se o último dígito bate com o cálculo do módulo 11 sobre os 43 anteriores.

Validar não é consultar

Validar uma chave é verificar se ela é coerente. Consultar é perguntar a um serviço fiscal se aquela nota existe e qual a situação dela. São etapas diferentes, e a primeira deve vir antes da segunda.

Uma chave pode passar em todas as checagens e mesmo assim não corresponder a nenhuma nota autorizada. O inverso não acontece: uma chave que falha na validação certamente está errada. Por isso a validação é um filtro barato. Ela evita gastar consulta, tempo e crédito com um número que nunca vai retornar nada.

Se você quer entender o que significa cada bloco antes de validar, o guia sobre a chave de acesso NF-e de 44 dígitos detalha campo por campo.

Jeito mais rápido

Cole a chave no validador de chave NF-e. Ele remove espaços, confere o tamanho, verifica se a UF existe, se a data é plausível, se o modelo é aceito e se o dígito verificador está correto. O resultado sai na hora, sem cadastro.

Se a chave passar, você pode seguir direto para a consulta de NF-e pela chave de acesso e tentar gerar o DANFE.

Passo a passo da validação manual

Se você prefere entender o que está sendo checado, ou precisa validar dentro de uma planilha ou sistema próprio, siga esta ordem. Cada etapa elimina um tipo de erro.

  • Limpe a chave: tire espaços, pontos, traços e quebras de linha. Sobra só número.
  • Conte os dígitos: tem de dar exatamente 44.
  • Confira a UF: os dois primeiros dígitos precisam ser um código IBGE de estado, como 35 para São Paulo ou 31 para Minas Gerais.
  • Confira o ano e o mês: os dígitos 3 a 6 formam AAMM. O mês vai de 01 a 12, e a data não pode estar no futuro.
  • Confira o modelo: os dígitos 21 e 22 indicam o modelo. 55 é NF-e e 65 é NFC-e. Se aparecer 57, é um CT-e, não uma nota de mercadoria.
  • Calcule o dígito verificador e compare com o 44º dígito.

Como calcular o dígito verificador

O cálculo usa módulo 11 sobre os 43 primeiros dígitos. Ele parece complicado, mas é sempre a mesma sequência:

Comece pelo último dos 43 dígitos, o mais à direita. Multiplique por 2. O vizinho da esquerda, por 3. O seguinte, por 4, e assim até 9. Depois do 9, o peso volta para 2 e o ciclo recomeça. Some todos os produtos.

Divida a soma por 11 e pegue o resto. Se o resto for 0 ou 1, o dígito verificador correto é 0. Caso contrário, o dígito é 11 menos o resto. Exemplo: se o resto for 4, o dígito verificador é 7.

Compare o resultado com o último dígito da chave. Se for diferente, algum número foi digitado ou copiado errado.

  • Pesos de 2 a 9, da direita para a esquerda, em ciclo.
  • Soma dos produtos dividida por 11.
  • Resto 0 ou 1 resulta em dígito 0.
  • Nos outros casos, dígito = 11 menos o resto.

O que a validação pega e o que não pega

O dígito verificador é muito bom para pegar erro de um dígito só e boa parte das trocas entre dígitos vizinhos, que são os erros mais comuns de digitação. As checagens de UF, data e modelo pegam chaves coladas no campo errado, como um número de protocolo ou um código de boleto.

Mas a validação não sabe se a nota foi autorizada, cancelada ou denegada. Também não confirma que o CNPJ embutido pertence a uma empresa ativa. Para isso é preciso consultar o documento. O guia como consultar nota fiscal pela chave de acesso mostra os caminhos e o que cada um devolve.

Erros comuns

Estes são os casos que mais aparecem quando uma chave é recusada:

  • Chave com 43 ou 45 dígitos por causa de um número perdido ou duplicado na cópia.
  • Espaço invisível colado junto, vindo de PDF ou planilha.
  • Número de protocolo de autorização usado no lugar da chave. O protocolo tem outro tamanho e outra função.
  • Chave de CT-e, modelo 57, usada onde se espera nota fiscal. Para conhecimento de transporte, o caminho é gerar DACTE online a partir do XML.
  • Chave lida de uma foto ou impressão borrada, com um 3 confundido com 8 ou um 1 com 7.

Quando a chave é válida mas a consulta falha

Acontece. Uma chave correta pode não retornar o documento completo por vários motivos: a nota pode ser recente demais, o serviço consultado pode não ter aquele documento, ou a consulta pública só oferece o resumo. Desde o Ajuste SINIEF 16/2018, a consulta pública não divulga os dados detalhados da nota.

Nesses casos, o caminho seguro é pedir o XML ao emitente ou baixá-lo pelo sistema fiscal da empresa. O guia como baixar XML da nota fiscal lista as alternativas. Com o arquivo na mão, basta gerar o DANFE pelo XML.

Perguntas frequentes

Uma chave válida prova que a nota é verdadeira? Não. Prova só que a chave é coerente. Quem confirma a autorização é a consulta ao serviço fiscal.

Posso validar uma chave de NFC-e? Sim. O formato é o mesmo, com modelo 65. A consulta completa da NFC-e, porém, costuma ser feita pelo QR Code do cupom, no portal da SEFAZ do estado emissor.

Por que o validador recusa uma chave que veio do meu sistema? Na maioria das vezes a chave foi copiada com caractere extra ou cortada. Copie de novo direto do XML, onde ela não tem formatação.

Validar consome crédito? Validar a estrutura da chave não envolve consulta a serviço fiscal. É justamente por isso que vale fazer antes de consultar.

Posso validar várias chaves de uma vez? Para volume, a melhor saída é integrar pela documentação da API e fazer a checagem dentro do seu ERP, antes de cada consulta.

Na prática: com o XML autorizado em mãos, gere o DANFE ou DACTE em PDF quando precisar de uma versão legível para imprimir ou enviar.

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